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Crónicas de uma filha Atrapalhada

Lembram-se da pequena Bá do blog "Crónicas de uma mãe atrapalhada." Pois,ela cresceu! E agora exigiu que existisse também a sua versão de filha num blog a quatro mãos.

Crónicas de uma filha Atrapalhada

Lembram-se da pequena Bá do blog "Crónicas de uma mãe atrapalhada." Pois,ela cresceu! E agora exigiu que existisse também a sua versão de filha num blog a quatro mãos.

desafio de escrita dos pássaros #2.1

Já era de manhã quando Nicole acordou. No dia anterior estava a viajar pelo deserto com os pais , mas quando acordou não estava lá nada nem ninguém.

-Mãe! Pai! Onde foram!- Gritou ela, mas ninguém respondeu.-Se calhar eles perderam-se. Nesse caso se calhar é melhor eu ir à procura deles- Disse cheia de confiança. Talvez não fosse a melhor ideia , mas a vedade é que os pais nunca lhe tinham dito o que fazer numa situação daquelas. O deserto não é um super mercado afinal de contas , ela não podia ir simplesmente ter com um funcionário e dizer-lhe que se tinha perdido.Equanto andava, viu ao longe o que parecia ser uma pessoa junto da capa que ela tinha perdido ontem.

-Mãe! Pai! Sou eu, encontrei-vos!

MAs quando chegou mais perto, percebeu que não era os pais, mas sim um rapaz por volta da mesma idade dela, só que ele parecia um bocado transparente. O primeiro pensameto dele era que ela estava a ver uma miragem como nos desenhos animados que ela via , mas então...

-Olá. Isto é teu?- Perguntou ele em voz baixa.

"Espera miragens não falam ! Então isso quer dizer que ele é um fantasma! Eu sempre quis conhecer um fantasma!"

-Olá?-Disse ele confuso por ela ainda não lhe ter respondido.

-Olá! Eu chamo-me Nicole! Obrigada por achares a minha capa! Como te chamas!-Disse ela excitada , não só por encontrar alguém mas também por cinhecer um fantasma.

-Chamo-me Luca . Tinha te visto ontem com os teus pais, onde é que eles estão?

-Acho que eles se perderam mas não sei como os encontrar.-Disse ela num tom triste.

-Oh! Isso não soa nada bem , mas eu acho que sei como os encontrar . Só temos de ir por ali.-Disse ele apontando para a sua direita .

-A sério! Vamos!-E sem pensar duas vezes desatou a correr nessa direção .

-ESPERA! Tu podes escorregar, tm cuidado!-Mas já era tarde , ela já tinha tropeçado e começado a rolar o monte de areia a baixo. Quando chegou lá em baixo estava toda coberta de areia.

-  Se voltas a fazer isso , acho que isto não vai correr bem.-Disse ele a rir . E quando ela viu o estado em que estava , também se desatou a rir.

desafio de escrita dos pássaros #2.1 "Acho que a coisa não vai correr bem"

Acho que a coisa não vai correr bem

 

 

A reunião tinha terminado mais tarde do que era suposto. Há sempre quem fale mais do que o necessário. Eram horas de jantar.  Um grupinho decidiu ir jantar fora e convidou-me. Respondi que se o Jorge ficasse com os miúdos não haveria problema. Após um pequeno telefonema em que ele confirmou que eu podia ir descansada.

Para não levarmos todos carros, decidimos repartir-nos por três carros à sorte.

 A mim calhou-me ir  no carro do Alfredo com mais um colega e duas colegas, ninguém queria ir à frente, fui eu…

 Ora o Alfredo é o elemento mais jovem da empresa que está a estagiar. Como sei o que é ser a novata  do sítio, sempre que o vejo aflito tento ajudar e orientar. 

E é aqui, que quem não entende isto como o auxílio a um novo colega pensa de outra forma. Facilmente ambos nos apercebemos dos olhares, das risadinhas e das insinuações sem sentido.

Primeiro ele disse-me que “não me queria causar problemas e que se eu quisesse se afastava”. Eu ri-me e disse que não ligasse a quem não tinha nada mais de útil para fazer. Ele sorriu e agradeceu-me.

Desde aí, começámos a brincar um com o outro de propósito atiçando as más línguas e divertindo-nos com a situação. Por tudo isso, que assim que me sentei no lugar ao lado do condutor ele sorriu e sussurrou-me discretamente:

-“Acho que a coisa não vai correr bem!”

Contive uma gargalhada, mas foi impossível não trocarmos um olhar cúmplice.

Atrás iam três colegas  que tinham entrado comigo o João, a Maria e a Ana. O João não era de mexericos , falava com todos, profissional, fazia o seu trabalho, por outro lado a Maria era o jornal de notícias do sítio, as que  não sabia, imaginava-as. Para ajudar, achava que todos os homens da empresa estavam apaixonados por ela, mesmo os  casados, o único que não estava apaixonado por ela era o Alfredo.

A Ana era um daquelas pessoas impossíveis de não gostar, com uma paixão secreta pelo João que este ainda não percebera.

A diferença é que quer o João , quer a Ana não são comprometidos. 

Enfim, tudo estaria bem se a Maria, que todos sabiam que tinha um fraquinho  pelo Alfredo, não estivesse ali, mas ela estava…

 

(continua)