Lembram-se da pequena Bá do blog "Crónicas de uma mãe atrapalhada." Pois,ela cresceu! E agora exigiu que existisse também a sua versão de filha num blog a quatro mãos.

18
Jul 18

baácartazdafloresta.jpg

Babá com 3 anos a proteger a Floresta aojeito de futura Marylin Monroe

 

Eu sei que tu sabes. Eu gosto muito de ti. Estás a ficar uma miúda muito gira. Gostava que fosses só um pouquinho mais vaidosa, mas lá virá o tempo em que me vou queixar disso. Eu sei que sou suspeita para dizer que esse teu palminho de cara está cada vez mais bonito, mas está. Mas este texto não é sobre o teu palminho de cara.

 É sobre a miúda gira que mora em minha casa e eu “mal conheço”. Deixa-me explicar de um ano para outro cresceste tanto em termos de personalidade que me estou a ver um pouco aflita para acompanhar.   

 Diz-me uma coisa miúda o que fizeste á minha filha, aquela miúda regula? Sabes é que não a tenho visto por aí….

 

Em vez disso está aqui a morar uma miúda gira que vou começando a conhecer aos poucos. Fiel aos seus princípios. Protetora do irmão e o meu braço direito, quando o pai não me pode ajudar.

Sabes miúda tenho saudades da miúda reguila no cartaz, que aos seus dois anos encantou a blogosfera com as suas traquinices. Acho mesmo que vou sempre ter saudades dessa miúda, que se encantava com o cartaz dos Olhinhos porque também queria protegera floresta.

  Vou sempre ter saudades da miúda que saía da escola do primeiro ciclo a dizer que a dizer que a escola era aborrecida, porque tinha que ficar caladinha a ouvir a professora. Que saía encantada com as coisas que o professor de Educação Musical lhe ensinava e que achava que a música era uma espécie de magia e acho que isso ainda se mantém.

 

Mas gosto da miúda que começa a ganhar asas para os voos da vida.  A miúda que vai sozinha ao cinema com a amiga e que consegue resolver o problema de terem perdido os bilhetes porque se lembrou de guardar todos os recibos. A que pede autorização aos pais para fazer as coisas, mesmo sabendo que o não só virá se houver um motivo válido para isso.

 

A miúda que fica feliz pelo sucesso dos outros. Que sabe lidar com a frustração, que não alinha com o rebanho só para ser popular. Uma miúda modesta que não gosta que lhe gabem as suas conquistas e que raramente ou nunca se vangloria delas.

 

Gosto da miúda que tem coragem de ser a única numa turma a assumir que não tem vergonha que os pais lhe deem um beijo em público quando a vão buscar à  escola e que fica feliz quando os vê irem às reuniões.

 

Gosto da miúda que chega a casa a contar-me isso orgulhosa e ainda diz:

- Eu sou muito mimada. Eu gosto de ser mimada. Tive uma infância feliz.

 

Vejo uma miúda que como as outras gosta de estar na Internet e falar com as amigas, ver os youtubers da moda, mas que sabe ter as suas próprias ideias e defender o seu ponto de vista.

A miúda que mora aqui agora, ama livros e já conversa com a mãe sobre eles.  Tem um sentido humor muito próprio e que tem projetos para o futuro.

 

Sabes, nestes momentos surpreende-me a cada dia que passa, ainda estou a começar a conhecer esta miúda que mora aqui agora.

Mas sabes uma coisa miúda? Sabes, sabes, sabes?

EU GOSTO MUUUUUUUUUUIIIIIIIIIIIIITO DE TI.

 

 

 

 

Trapalhada feita por Alfa às 17:59
sinto-me: De coração Cheio
música: I will always love youde Whitney Houston

02
Jun 18

 Ando inspirada na poesia, olho para a minha filha e pergunto-lhe a ela e a mim quando é que ela cresceu tanto e eu não percebi. E de repente vem-me à memória este belíssimo poema  de um dos meus poetas portugueses preferidos “O poema á mãe” de Eugénio de Andrade.

 

 

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
          Era uma vez uma princesa
          no meio de um laranjal...


Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"

 

Trapalhada feita por Alfa às 17:04

Julho 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

15
21

23
24
25
26
27
28

29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Trapalhadas Antigas
Trapalhões online
Andaram atrapalhados
contador
mais sobre mim
Procurar trapalhadas
 
links
blogs SAPO