Lembram-se da pequena Bá do blog "Crónicas de uma mãe atrapalhada." Pois,ela cresceu! E agora exigiu que existisse também a sua versão de filha num blog a quatro mãos.

06
Jun 18

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(com quatro anos no Ballet)

(Como o post estava muito grande  decidi dividi-lo em duas partes)

 

  A minha filha não é uma ginasta, nem atleta dotada, e depois?

Não se pode ser bom a tudo.  Quis desistir da natação para meu desgosto e experimentou o Hip Hop, mas não durou. Fez ballet, mas parou porque os meus horários não davam e eu não conseguia conjugar, mas também não era nenhuma prima dona e mesmo que fosse não era isso que importava.

Agora anda no Teatro e ainda não sabe se vai continuar, e a decisão será dela. É a busca dela, a sua demanda do que gosta ou que não gosta, do caminho que quer seguir. Creio que se chama Crescer!  E nessa demanda fará escolhas que eu não irei gostar, mas que, se ela gostar e a fizerem feliz, irei respeitar.

  É uma jovem bem formada, que no dia em que tirou pela primeira vez uma negativa, ficou feliz porque a colega que costumava ter notas fracas, tinha tirado o seu primeiro Bom. Uma jovem que fica feliz quando pode ajudar os e vê-los outros felizes. Não é uma jovem que se gabe ou se exiba (a mãe faz isso por ela eu sei e ela odeia que eu seja tão babada)! Tem defeitos? Sim, muitos.

Sim orgulho-me dela e das suas conquistas. É assim tão errado?

  Mas acima de tudo, o que me realiza como mãe é ela dizer que teve uma infância muito feliz e que é feliz com o irmão e a família que tem.

  Lembro-me o primeiro dia que a levei ao colégio onde frequentou o primeiro ciclo, a psicóloga que nos recebeu, me dizer que via nela uma criança Feliz. Como me senti realizada nesse dia.

   Se a felicidade dá dor de cotovelo? Se calhar dá! Mas temos pena!

Se isso nos faz parecer que queremos ser mais que os outros?  Não faço ideia. Mas também não estou preocupada, porque o que me interessa é que os meus filhos, cada um de sua forma são crianças felizes.

Trapalhada feita por Alfa às 09:47

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 Quando fui mãe pela primeira vez, já as minhas sobrinhas tinham oito anos, e a maioria dos meus amigos tinha ou filhos crescidos, ou ainda não tinham filhos. Embora com o acompanhamento do Pediatra, eu não tinha exatamente pontos de referência do que era comum ou não um bebé fazer em certa idade.   A minha filha era o meu sonho realizado e sim, eu era e ainda sou uma mãe muito babada. Era uma mãe muito feliz (e ainda sou) com a filha que tinha e tenho. Por isso quando comentava que a minha filha gatinhava e falava aos seis meses, eu pensava que era a coisa mais comum do planeta. 

          Até ao dia em que ouvi uma colega comentar, mas minhas costas, em tom sumido e irónico:

“-Hum mais um bocadinho e diz que ela já falava na barriga!”

Eu que tenho ouvidos de tísica e não tenho papas na língua, fiz questão de responder igualmente com ironia dando-lhe a entender que a ouvira:

- Nunca se sabe.  – E segui a minha vidinha, enquanto a dita cuja criatura me olhava estupefacta.

    É que não se tratava de uma questão de eu querer que a minha filha fosse melhor que o filho, ou filha desta ou daquela. Também não fiz questão que a minha filha gatinhasse ou falasse aos seis meses. Mas eram factos. Factos de que eu própria tinha duvidado.  Pois a primeira vez que ela gatinhou foi na ama e as primeiras palavras eu não liguei, pensei que fossem fruto da minha imaginação ou que estava à beira de um esgotamento. Só acreditei, quando a fui buscar à ama no primeiro dia e ama me diz:

- Não me avisou que a sua filha já gatinhava.

E eu:

- Ela não gatinha. Vira-se toda, mas não gatinha.

Ao que a ama me responde:

- Gatinha, gatinha e muito bem, tanto que me fez andar à procura dela. E chama por si e pelo pai.

Aí eu fiquei a olhar, afinal eu não estava à beira de um esgotamento e a imaginar coisas.

-Tem a certeza?

-Tenho que ouvi várias vezes e o meu marido também- respondeu-me ela.

 

 Era a confirmação de que eu não estava doida, nem a imaginar coisas.

 

Enfim, eu sei, isto fazia parecer que eu queria que a minha filha fosse melhor que todos e que era isso que me importava.  Mas não, apenas a minha filha era mesmo assim.  E eu adorava -a. Era a minha filha.

      Mas se pudesse escolher, teria preferido que gatinhasse e falasse um pouco mais tarde. Porque tinha sido muito mais fácil para mim, que nessa época estava sozinha e deslocada de casa com ela, numa casa com escadas, onde não tinha proteção, porque pensámos que só mais tarde seria necessário. E não tinha mais ninguém para andar atrás dela quando ela gatinhava a cem hora.

 

Se pudesse escolher teria preferido que ela tivesse falado um pouco mais tarde, e o irmão um pouco mais cedo.

 Porque será que não incomoda ninguém, nem dá dor de cotovelo a ninguém quando falo que tenho um filho não verbal e me orgulho de cada conquista nova dele? Ah pois, isso não faz parecer que o meu filho é melhor do que as outras crianças.

 

Quando me perguntavam se a minha filha não tinha atividades extracurriculares fora da escola, eu respondia que as que tinha na escola chegavam.

 Para mim era importante passar tempo com ela, ir com ela ao Parque, ao café lanchar, ao cinema, passear, brincar com ela, fazer bolos, ver filmes juntas no sofá ou na cama.

 É uma jovem como as outras. É inteligente, sim! Vou dizer que não, porque alguém pode ficar com uma ligeira dor de cotovelo? Era o que me faltava.

(continua)

Trapalhada feita por Alfa às 09:30

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